Pacto Institucional: O que o Brasil de Brizola e Ulysses pode ensinar ao caos atual?

Simulador de Atrito Político

Energia Institucional: 100%

Houve um tempo em que a democracia brasileira tinha uma vitalidade que hoje parece distante. Figuras como Leonel Brizola, Ulysses Guimarães e Mário Covas personificavam um ambiente onde o embate político e ideológico era duro, mas o adversário era reconhecido como um ator legítimo, não um inimigo a ser destruído.

Apesar de o espaço político ser dominado por oligarquias regionais e grandes capitais — com o Parlamento frequentemente ocupado por herdeiros de famílias tradicionais ou por quem dispunha de recursos financeiros expressivos —, esses líderes ajudaram a forjar uma democracia mais ampla e institucionalmente sólida.

A Constituição de 1988, que eles ajudaram a elaborar, consolidou limites claros entre os poderes: sabia-se precisamente onde terminava a competência de um e começava a do outro, preservando a separação que garantia estabilidade. Essa previsibilidade permitia ao país, mesmo com suas desigualdades, projetar um futuro com alguma confiança.

Pacto Institucional Brasileiro

O ponto de ruptura dessa estabilidade ganhou força a partir das manifestações de junho de 2013. O debate vibrante e plural foi substituído por uma polarização extrema, que transformou a política em um jogo de aniquilação mútua. A lógica de composição e negociação deu lugar ao enfrentamento incessante, onde o objetivo não é mais vencer o argumento, mas derrubar a estrutura do opositor.

Hoje, o custo dessa paralisia é visível no desenvolvimento tecnológico e econômico. As instituições gastam a maior parte de sua energia em conflitos de competência e autodefesa. Enquanto o mundo discute inteligência artificial e novas fronteiras de energia, o Brasil está estagnado em discussões que servem apenas para alimentar algoritmos de redes sociais.

O Caminho da Previsibilidade

A saída não passa por soluções mágicas, mas pelo resgate da liturgia institucional. O desenvolvimento só retoma o fôlego quando a política volta a ser o terreno da previsibilidade, ou seja, quando as regras institucionais, as competências entre os Poderes e as políticas de longo prazo deixam de ser reféns de ciclos ideológicos voláteis e passam a oferecer certeza mínima para planejamento de empresas, cientistas e investidores.

Precisamos de um pacto que blinde as áreas técnicas e de inovação do ruído ideológico, transformando-as em políticas de Estado protegidas contra o vaivém da polarização.

A Convergência Necessária

"Política não se faz com ódio, pois não é função hepática. É filha da consciência, irmã do caráter, hóspede do coração. Eventualmente, pode até ser açoitada pela mesma cólera com que Jesus Cristo, o político da Paz e da Justiça, expulsou os vendilhões do Templo."

Ulysses Guimarães, 4 de março de 1985

O sucesso do Brasil não virá de um nome vencedor na próxima eleição, mas da nossa capacidade de blindar as instituições contra o próximo ciclo político. O desenvolvimento econômico não aceita o improviso. Ele exige a paz e a previsibilidade de um Estado que sobrevive aos seus governantes. Desenvolvimento exige paz institucional.